Era uma vez um rapaz chamado Ricardinho (Ricartcheeeenho para os amiguinhos) sensível, criado pela avó e que tinha um gato chamado 'Mingauzinho'. Certa vez Mingauzinho fugiu de casa e nunca mais voltou. Ricardinho ficou muito triste e chorou muito naquela noite, mas ele aprendeu uma lição: é preciso aprender a lidar com as perdas.
Um ano depois, Ricardinho estava andando pelas ruas de sua vizinhaça quando ouviu o barulho ensurdecedor de algum animal berrando. Ele seguiu os ruídos e constatou que o barulho vinha de cima do telhado da casa de um de seus vizinhos. Ricardinho, muito ágil, subiu em uma árvore próxima e pôde ver dois pequenos vultos, um em cima do outro, no telhado da casa. Ricardinho ficou muito curioso com aquilo e tentou chegar mais perto para ver exatamente o que estava acontecendo.
Ao se aproximar, uma lágrima rolou dos olhos do menino - como aliás acontecia constantemente - era Mingauzinho, mal tratado, com os pelos encardidos e mal lavados, em cima de outro gato que berrava de dor com as investidas de Mingauzinho. Os gatos, assutados com a presença de Ricardinho, fugiram e Ricardinho nunca mais voltou a ver seu ex-animalzinho de estimação, mas naquele dia ele aprendeu outra lição: as vezes é melhor estar todo fodido, mas feliz, do que bem de vida, mas infeliz. É preciso fazer o que o seu coração manda.
Naquela noite, Ricardinho fugiu de casa e foi morar nas ruas. Ao transitar sem rumo pelas esquinas do centro da cidade, Ricardinho foi abordado por uma linda donzela, usando trajes mínimos. A donzela se apresentou a Ricardinho como "Shirley, bonequinha de porcelana" e ofereceu-se para uma noite de amor por mísera quantia. Ricardinho mal pôde se conter por tão grata oportunidade e aceitou de imediato, partindo então para o que seria a noite mais feliz de sua vida.
Ricardinho estava maravilhado com a nova vida que estava tendo e mal pensava na avó, que a esta altura já deveria estar morrendo de preocupação.
Algumas semanas se passaram e Ricardinho começou a sentir os efeitos de sua decisão. Seu dinheiro já estava se acabando e as noites de amor com as donzelas do centro da cidade já não pareciam tão sedutoras. Ricardinho, como na parábola do filho pródigo, resolveu voltar para a casa de sua avó, esperando ser acolhido de braços abertos. Ao chegar em casa, percebeu que esta estava completamente vazia. Ao ser avistado por um de seus antigos vizinhos, este foi correndo ao seu encontro:
- Safado! Ordinário!
- Calma - defendeu-se Ricardinho - Afinal o que houve?
- Ora, e tu não sabes?! Na noite em que desapareceu sem dar notícias tua avó teve um treco! Morreu naquela noite mesmo.
Ricardinho caminhou triste e chorando para dentro de sua antiga casa, agora sem os móveis que costumavam preenchê-la. Ao entrar, encontrou Mingauzinho, magro e quieto num canto. Mingauzinho, ao avistar Ricardinho, pulou pela janela estatelando-se no muro e caindo imóvel.
Ricardinho, chocado com a cena, correu em direção à janela. Ao chegar perto do parapeito, encontrou uma carta, presa na dobradura da janela. Abrindo a carta, pôde ler as últimas palavras de sua avó:
"Mal pude me conter de alegria ao saber que aquela peste emotiva que é meu neto resolveu sair de casa. Creio que meu coração poderá aguentar, mas não bastasse uma notícia boa, na mesma noite em que Ricardo saiu de casa, Mingauzinho voltou. Creio que ele sempre esteve à espreita esperando que o traste saísse da casa. Mal posso conter-me".
Ricardinho então pôde perceber o que havia acontecido desde o início: seu gato fugira por não aguentar mais ser o animal de estimação dele. Preferira viver nas ruas a aturar seu antigo dono. Ao perceber que Ricardinho havia partido, o gato voltara para o berço de sua avó, mas esta, não conteve a emoção de duas notícias tão agradáveis, e morreu do coração. Nas ruas, Ricardinho só pode contar com a ajuda daquelas que eram pagas para conviver com ele e, ao voltar para casa, seu gato, ao rever seu antigo dono, suicidou-se batendo com a própria cabeça no muro. Ricardinho aprendeu então outra lição: ele era chato pra caralho e não sabia exatamente o que acontecia à sua volta.
Quatro meses depois Ricardinho morreu de doença venérea.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
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2 comentários:
tão profundo q podia tranquilamente ser uma historia de vida da thati!
O Rafinha tem doença venérea?
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